REGIÃO

Cenário Gastronômico regional precisa “crescer e aparecer”

Empresários do setor gastronômico de Andradina e região precisam se desenvolver para não serem “atropelados”, por mais eficazes, capitalizados e experientes investidores que começam a voltar sua atenção para a “Terra do Rei do Gado”. Antes promessa e agora realidade, o Parque Aquático Acqualinda está aberto e já recebe milhares de turistas diariamente.

A exemplo, uma das maiores dificuldades encontradas hoje está em acomodar os turistas pela escassez de leitos. Alguns turistas se hospedam em Pereira Barreto e Três Lagoas (MS), os destinos mais próximos para terem onde dormir. A raiz do problema foi a falta de planejamento do setor, que esperou o parque estar aberto para se começar a construção de hotéis, pousadas e outros modelos de acomodações.

A lição do setor hoteleiro deve servir de alerta para os empreendedores da gastronomia. Quem não se preparou até o momento agora também vive a sombra de investidores externos, muitos deles com experiência com outros destinos turísticos e sabem os passos a se dar.

É preciso lembrar que os gastos com alimentação estão entre as principais despesas dos turistas, segundo uma pesquisa sobre o turismo doméstico brasileiro. A pesquisa, do Ministério do Turismo, ainda revela que cresce a cada ano a quantidade de viajantes cujos destinos são os mais de duzentos festivais gastronômicos que ocorrem anualmente no território nacional.

O cenário gastronômico andradinense precisa crescer e aparecer. Esse crescimento não está só na abertura de novas “portas”, mas passa pela qualidade do serviço e atendimento.

É preciso promover o alinhamento do turismo recém chegado a nossa realidade com a gastronomia para se consolidar o momento propício ao desenvolvimento do setor. É sabido que a maioria dos investidores segue o modelo usual para cidades de potencial turístico que se desenvolve no modelo “fast food” com lanchonetes, pizzarias e até no modelo das hamburguerias artesanais, uma tendência que desembarcou no país há alguns anos e pretende ficar. Agora, não se pode ignorar que o turista está disposto a ter experiências que liguem a sua viagem a cultura do lugar descoberto.

Ligado a nossa cultura local, existe uma grande riqueza de alimentos únicos e as possibilidades de transformar a experimentação do visitante em uma experiência diferenciada. Somos uma região com menos de um século de povoamento com uma mistura étnica provocada pela vinda de imigrantes árabes, japoneses, italianos e tantos outros que deixaram a sua marca no mode de se fazer as coisas.

É preciso fugir do pensamento comum e trabalhar com os olhos do visitante. Não é porque a coxinha de mandioca é algo tão corriqueiro em nossas vidas é que ela não possa encantar o paladar dos turistas. E por falar nesta coxinha, tão comum aos moradores do Extremo Oeste Paulista, todos deveriam saber que ela não é comum em todo o Brasil e nem em todo o estado de São Paulo, onde a maioria das receitas levam farinha de trigo e batatas, e não a mandioca, o mais democrático dos legumes, presente nas mesas mas humildes até as mais abastadas.

Andradina, assim como grande parte das cidades brasileiras ainda não incorporou a gastronomia como vocação a ser posicionada como diferencial autêntico.

É preciso descobrir e manter a identidade da nossa “Terra” por meio de seus costumes. Quando as fotos desbotarem ou se perderem nas “timelines” de suas redes sociais, os turistas nunca se esquecerão daquele petisco gostoso ou drink que tomaram durante as suas férias.

É preciso redescobrir o sabor local, valorizar a nossa cultura sertaneja e se preparar para um futuro que já começou.

(Hugo Leonardo é jornalista e um entusiasta pela cultura gastronômica)

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