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Um aniversário para manter o pai por perto: Theo celebra 9 anos ao lado dos companheiros do Cabo Leoterio

Filho de policial militar que morreu vítima de câncer comemorou aniversário no 28º BPM/I, em Andradina, cercado por familiares e integrantes da Força Tática que conviveram com o pai
O bolo tinha as cores da Polícia Militar. A decoração lembrava a farda. Integrantes da Força Tática estavam posicionados ao redor do aniversariante.
No centro daquela fotografia estava Theo, de 9 anos. Mas a festa realizada na sexta-feira (28), na área de lazer do 28º Batalhão de Polícia Militar do Interior (28º BPM/I), em Andradina, carregava uma história que começou muito antes daquele aniversário.
Theo é filho do Cabo PM Wagner Leoterio, ex-integrante da Força Tática do batalhão, que morreu precocemente no ano passado, vítima de câncer.
Depois da partida do pai, permaneceu para o menino um vínculo construído desde pequeno com o quartel, os policiais e os companheiros de farda que fizeram parte da trajetória de Leoterio.
E foi justamente entre eles que Theo comemorou seus 9 anos.
Uma infância perto do quartel
A relação do menino com a Polícia Militar nasceu acompanhando a rotina do próprio pai.
Integrante da Companhia de Força Tática, Cabo Leoterio era conhecido e querido entre os policiais com quem trabalhava.
Theo costumava acompanhá-lo em eventos e em momentos no batalhão. Em algumas dessas ocasiões, aparecia usando sua própria farda mirim.
A convivência fez com que o filho também se tornasse uma presença conhecida entre os policiais do 28º BPM/I.
A reportagem do Roni Paparazzi apurou que Leoterio construiu sua trajetória profissional na corporação e também participou de uma missão policial no Rio Grande do Sul durante o período das enchentes que atingiram o Estado.
Sua ligação com a Força Tática permanece lembrada pelos companheiros e também dá nome a uma homenagem realizada pelo batalhão por meio da corrida da Força Tática.
A ausência do pai não encerrou o vínculo
Com a morte de Leoterio, Theo perdeu o pai, mas não perdeu a ligação com as pessoas que fizeram parte da vida dele.
O menino continuou visitando o quartel sempre que possível para reencontrar os antigos companheiros de trabalho do policial.
Ali encontrou homens que conheciam seu pai não apenas pela farda, mas pela convivência diária, pelas operações, pelos momentos de trabalho e pelas histórias construídas juntos.
Esse vínculo transformou a comemoração dos 9 anos em algo diferente de uma festa temática convencional.
A pedido e com apoio da família, o aniversário ganhou como cenário justamente o ambiente que representa tantas das memórias construídas por pai e filho.
Força Tática cercou Theo na fotografia dos 9 anos
A comemoração reuniu familiares, policiais militares e integrantes do pelotão da Força Tática.
O comandante do 28º BPM/I, Tenente-Coronel Isac Nascimento, também participou do momento.
Em uma das fotografias da comemoração, Theo aparece diante do bolo enquanto policiais da Força Tática formam uma linha ao seu redor.
A imagem carrega uma ausência que não precisa aparecer para ser percebida.
Entre aqueles policiais deveria existir um lugar familiar para Theo: o lugar ocupado durante anos por seu pai.
Agora, são justamente antigos companheiros de Leoterio que continuam recebendo o menino quando ele retorna ao batalhão.
Uma homenagem construída nos detalhes
A memória do pai também apareceu nos detalhes escolhidos para o aniversário.
Além das referências à Polícia Militar na decoração e no bolo, Theo esteve junto dos integrantes da unidade que marcou a trajetória profissional de Leoterio.
A relação entre pai, filho e corporação já havia produzido registros anteriores. Theo cresceu conhecendo aquele universo e demonstrando carinho pela profissão exercida pelo pai.
Por isso, escolher a Polícia Militar como tema para os 9 anos não significou apenas escolher algo de que o menino gosta.
Significou voltar a um lugar onde existem pessoas capazes de contar histórias sobre seu pai.
Quando os companheiros também ajudam a guardar a memória
A história de um policial não permanece apenas em documentos, ocorrências ou fotografias.
Ela também permanece nas pessoas que trabalharam ao seu lado.
Para Theo, essa memória tem uma dimensão ainda mais particular.
Cada retorno ao 28º BPM/I permite que o menino continue próximo de uma parte da trajetória de Leoterio, mesmo depois de sua morte.
A festa terminou.
Os balões serão retirados.
O bolo acabou.
Theo seguirá crescendo.
Mas existe algo que aqueles nove policiais ao redor dele na fotografia podem continuar oferecendo por muitos anos:
as histórias do homem que, antes de ser Cabo PM Leoterio para a tropa, era simplesmente o pai do Theo.
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