ANDRADINAREGIÃO

Fossa de bananeira começa a tratar esgoto de famílias às margens do Tietê em Andradina

Primeira Bacia de Evapotranspiração foi implantada em comunidade ribeirinha para atender três famílias e poderá servir de modelo para novas instalações

Uma solução que reúne saneamento básico, plantas e reaproveitamento de nutrientes começou a ser experimentada por famílias que vivem às margens do rio Tietê, em Andradina.

No último fim de semana, moradores, associados e parceiros participaram da implantação da primeira fossa de bananeira, também conhecida como Bacia de Evapotranspiração (BET), na comunidade.

A estrutura foi instalada no terreno do associado Anderson Caetano e foi planejada inicialmente para atender três famílias.

A reportagem do Roni Paparazzi apurou que a iniciativa é resultado de uma parceria entre a Associação Ribeirinhos Renascer, a Secretaria Municipal de Agricultura de Andradina e a CTG Brasil, por meio do projeto Fazendo a Diferença.

Mais do que instalar uma estrutura, a experiência pretende verificar na prática a utilização de uma alternativa de saneamento ecológico em uma região onde famílias não contam com a estrutura convencional de coleta e tratamento de esgoto.

Mas como uma fossa de bananeira funciona?

Apesar do nome curioso, a tecnologia possui uma função bastante específica.

A Bacia de Evapotranspiração é destinada ao tratamento do esgoto proveniente do vaso sanitário, conhecido tecnicamente como águas negras.

Em vez do lançamento inadequado desse material no ambiente, o sistema utiliza uma estrutura composta por diferentes camadas para receber e tratar o efluente.

A matéria orgânica passa por processos de decomposição dentro da estrutura, enquanto água e nutrientes são aproveitados pelo sistema de vegetação.

É aí que entram as plantas, entre elas as bananeiras.

As raízes aproveitam água e nutrientes e parte da água retorna ao ambiente por meio da evapotranspiração, processo que combina a evaporação e a transpiração das plantas.

Por isso, a vegetação não funciona apenas como paisagismo: faz parte do funcionamento do sistema.

Alternativa onde a rede convencional não chega

A implantação tem uma relação direta com a realidade das famílias que vivem às margens do Tietê.

Em áreas rurais e comunidades onde não existe rede convencional de coleta e tratamento de esgoto, encontrar uma destinação sanitariamente adequada para os efluentes representa um desafio.

Soluções ecológicas descentralizadas podem ser utilizadas como alternativas quando corretamente dimensionadas, implantadas e mantidas.

A proposta da experiência em Andradina é justamente oferecer uma tecnologia de menor custo e que possa ser compreendida e, posteriormente, reproduzida pela própria comunidade com orientação adequada.

O sistema também busca reduzir o risco de lançamento inadequado de esgoto no ambiente, contribuindo para a proteção do solo e dos recursos hídricos.

Em uma comunidade localizada às margens de um dos principais rios do Estado, essa consequência ambiental ganha ainda mais relevância.

Primeira estrutura atenderá três famílias

A BET instalada no terreno de Anderson Caetano foi dimensionada para atender inicialmente três famílias.

A primeira experiência terá também a função de demonstrar o funcionamento da tecnologia aos demais moradores.

A expectativa é que a utilização da estrutura permita acompanhar seus resultados e estimule, posteriormente, novas instalações em outros terrenos da comunidade.

A proposta, portanto, não é tratar esta primeira implantação como solução definitiva para todo o saneamento da região, mas como uma experiência inicial que poderá ser replicada a partir dos resultados observados e das condições de cada propriedade.

Moradores participam da solução

Outro componente da iniciativa está na participação da própria comunidade.

O projeto Fazendo a Diferença, desenvolvido pela CTG Brasil, trabalha com temas relacionados ao acesso à água, saneamento ecológico, tratamento de águas cinzas, reaproveitamento hídrico e tecnologias sustentáveis de baixo custo.

As atividades combinam conhecimento teórico e aplicação prática para que os participantes entendam como as soluções funcionam e possam adaptá-las às suas realidades.

A intenção é que os próprios moradores também se tornem multiplicadores do conhecimento adquirido.

Outras tecnologias trabalhadas pelo projeto podem contribuir para reaproveitamento de água, irrigação de hortas e cultivo de árvores frutíferas.

Experiência começa às margens do Tietê

A primeira fossa de bananeira representa, portanto, mais do que uma estrutura instalada em uma propriedade.

Ela coloca em prática uma tentativa de responder a um problema cotidiano de famílias que vivem onde a infraestrutura tradicional de saneamento não está disponível.

Agora, o funcionamento da primeira experiência poderá ajudar a indicar o potencial de expansão da tecnologia para outras propriedades da comunidade.

Se o modelo apresentar os resultados esperados, novas famílias poderão conhecer e adotar a solução com o dimensionamento e a orientação necessários.

Às margens do Tietê, três famílias começam uma experiência em que aquilo que antes representava um problema sanitário passa a ser tratado com uma combinação de engenharia simples, participação comunitária e plantas.

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