“Só espero ter uma condenação justa” diz mãe de adolescente morta por borracheiro

Edson Francisco de Souza confessou ter matado há quatro anos a filha dela.

Afagar o ursinho da filha é uma das maneiras que Maristela da Silva encontrou para minimizar a saudade e a dor pela perda precoce. No último contato entre elas, a dona de casa se recorda do abraço carinhoso e da frase de Jhenifer. "Você é muito especial".

Folha da Região Eduardo Fonseca e Roni Paparazzi Foto Roni Paparazzi e Nanda Oliveira

Encarar o homem que matou a filha é uma situação que nenhuma mãe gostaria de passar na vida. Mas é o que vai acontecer nesta semana, pela primeira vez, com a dona de casa Maristela da Silva, de 36 anos. Ela vai acompanhar, em Pereira Barreto, o júri popular do borracheiro Edson Francisco de Souza, que confessou ter matado há quatro anos a filha dela, Jhenifer Naiara da Silva, que tinha 13 anos, e a amiga dela, Yara Barbosa, 14. As duas foram encontradas mortas, nuas e boiando no rio Tietê, em Pereira Barreto. O caso repercutiu nacionalmente na época. O júri será nesta quinta-feira (26).
Segundo as investigações, no dia 12 de abril o borracheiro teria oferecido carona às meninas quando passou pela avenida Guanabara, em Andradina. O homem teria levado as adolescentes até à estrada que liga Andradina a Pereira Barreto e cometido o crime de abuso sexual. Ele disse ao delegado que se desesperou quando percebeu que uma das adolescentes tinha apenas 13 anos e, por isso, decidiu matá-las.
Após o crime, o borracheiro fugiu e foi preso em um hospital de Cianorte (PR) depois de tentar se matar tomando veneno para rato. Atualmente, ele está preso em Iaras, próximo a Avaré e Bauru. Ele foi denunciado pelo Ministério Público.

REFORÇO NA ACUSAÇÃO

Ana Paula Schoriza e Gilvaine Ortuzal serão os responsáveis em auxiliar na acusação reforçada contra o réu.

Dr. Gilvaine Ortuzal esclareceu que “a figura do assistente de acusação não é muito conhecida, mas tem a função de colaborar com o Ministério Público objetivando reforçar a acusação. Nós estamos atendendo ao pedido da família no intuito de buscar a aplicação da justiça com o máximo rigor da lei”.

E exemplificou “um dos casos de assistente de acusação de maior repercussão no país foi protagonizado pelo renomado advogado criminalista Andradinense dr. Ademar Gomes, no caso Eloá, que foi o mais longo cárcere privado da história policial de São Paulo, o qual culminou no assassinato dela, o acusado Lindemberg Fernandes foi condenado a 98 anos e 10 meses de reclusão”. Conclui o criminalista que “esse é o modelo de assistência de acusação que se espelha”.

Dra. Ana Paula, especialista em Defesa da Mulher, nos contou que “o Brasil é o 5º país do mundo em violência contra a mulher. Cerca de 12 mulheres são assassinadas por dia, e 135 são estupradas, sendo que 70% das vítimas dos crimes sexuais são crianças e adolescentes, segundo pesquisas oficiais.

“O caso da Jenifer e da Yara é um exemplo desta barbárie, mas não passará impune. Teremos a chance de mostrar neste júri que existe Justiça”, comentou.

Na assistência de acusação estarão os advogados dr Gilvaine Ortuzal, dra Ana Paula Schoriza e dr Sérgio Ortuzal.

JUSTIÇA


Na semana passada, a mãe de Jhenifer conversou com a reportagem. “A gente raramente se desentendia. Nunca tinha problema com ela. Naquela noite nos abraçamos e ela disse que eu era muito especial. Foi a última vez que a gente se viu”, lembrou, emocionada. A reportagem também procurou a mãe de Yara, mas ela não quis dar entrevista.
Maristela contou que no dia do crime mãe e filha foram ao centro comercial de Andradina comprar presente para uma festa de aniversário. Depois voltaram para casa, onde a adolescente fez as unhas e, à noite, foram à comemoração. Segundo a mãe, no evento a filha recebeu a ligação de uma amiga chamando-a para sair. “E nesse intervalo, em pouco tempo, senti falta dela e já não encontrei mais minha filha”.
Nesse momento, Maristela disse que pediu ajuda para vizinhos e amigos, e procurou a Polícia Militar. De uma coisa a mãe tinha certeza: a filha não tinha fugido, porque ela não era uma menina que teria essa atitude. “Eu tinha muita confiança nela. Era muito meiga dentro de casa e, pra mim, ela tava ali perto, com alguma amiguinha. Então, eu procurei só ali nas redondezas mesmo”, contou.
A mãe lembrou que naquela noite procurou a filha e a amiga por vários bairros de Andradina, pedindo informações, mas ninguém as teria visto. “Os dias procurando ela foram muito ruins. Muita agonia, muita angústia, até hoje eu não acredito, porque eu jamais esperava que fosse encontrar minha filha morta. Eu pensava que ia encontrar ela viva. Quando eu recebi a notícia que tinham encontrado ela, eu estava na delegacia. Foi um balanço na minha vida”, lamentou.
A dona de casa encontrará o homem que confessou ter matado Jhenifer pela primeira vez nesta semana, em Andradina. “Eu tenho o sonho de ficar frente à frente com ele, porque espero que seja feita justiça. Se eu encontrá-lo na minha frente eu nem sei o que direi, se puder. Só na hora mesmo, mas meu sonho é ver ele de perto. Eu nunca tive sede de vingança, porque tem Deus pra cobrar, e o que eu espero é justiça. Eu espero uma condenação justa”, completa.

ASSISTA ENTREVISTA EXCLUSIVA:

Quatro anos depois, mãe encontrará assassino da filha de 13 anos em júri

Nesta semana, a dona de casa residente em Andradina terá um encontro que mãe alguma desejaria: estará frente a frente com o assassino da filha Jhenifer Naiara da Silva de 13 anos . Há quatro anos, a adolescente e a amiga Yara Barbosa, foram vítimas de abuso sexual e, depois assassinadas. Os dois corpos, nus foram encontrados boiando no rio Tietê, em Pereira Barreto. Maristela da Silva acompanhará o juri popular do borracheiro Edson Francisco de Souza, na quinta-feira. Os assistentes de acusação são os advogados Gilvaine Ortuzal, Ana Paula Schoriza e Sérgio Ortuzal. Acompanhe entrevista exclusiva.

Posted by SITE PAPARAZZI NEWS on Sunday, April 22, 2018